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27/05/2015 :: Nacionales Galiza

Umha análise da nova realidade política galega

x [Armando Ribadulha - Diario Liberdade
Alguns pontos sobre um processo verdadeiramente rupturista na Galiza, que para mim passa por dar passos cara a soberania nacional

Foto de Compostela Aberta - Xúlio Ferreiro (esq.), da Maré Atlántica e próximo Presidente da Cámara Municipal da Corunha, e Martinho Noriega (dir.), de Compostela Aberta, que ocupará o posto análogo na capital galega; juntos em Compostela em datas prévias às eleiçons municipais.

 Alguns pontos sobre um processo verdadeiramente rupturista na Galiza, que para mim passa por dar passos cara a soberania nacional para que não fique num balom que incha e incha até que explode e não fique mais que ar.

Algo assim se passou com o BNG anteriormente: um inchaço eleitoral longe da sua base real, e renunciando a cada vez mais e mais. O trabalho institucional é muito importante, ninguém vai negar. Como votar, pois é um direito conquistado ao qual não se deve renunciar, mas é importante avançar criando base social.

Algo parecido sucedeu já em diferentes processos históricos, não comparáveis a 100%, mas dos que se pode tirar alguma lição: o voto obreiro comunista e internacionalista de esquerda, na Alemanha dos anos 30, passou majoritariamente a votar a extrema-direita nazi. A que foi devido? Mudarom de ideologia? o voto do BNG pode votar muito dele Podemos, PSOE e mesmo algum PP, como não vai votar as marés também?

As contradições as vemos alguns, por isso é importante avançar autoeducando-nos e educando, autoorganizando-nos e organizando, criando tecido social. Nisso o nacionalismo galego de esquerdas e o soberanismo têm alguns importantes sucessos. A CIG é o sindicalismo nacional galego de esquerdas majoritário na Galiza, e, com todas as críticas que se lhes podam fazer, está a anos luz dos vendidos a patronal CCOO e UGT. Nunca Mais face a um 15M importado desde fora, ainda que puído ter aspectos positivos (o 15M) Nunca Mais foi um levantamento popular galego netamente nacional galego. Também temos as experiências dos centros sociais. Muito importante é que se devia pontenciar desde todo o soberanismo de esquerdas escolas como as Sementes.

Depois da ruptura do BNG, à criação de AGE e agora as Marés, temos uma complicada leitura social, pois, curiosamente, com Martinho, Compostela terá um alcalde, o primeiro, nacionalista de esquerdas. Na Corunha será Xulio Ferreiro, que evidentemente é galeguista de esquerdas ainda que evite definir-se demasiado, pois comem muito voto de ex-votantes do PSOE educados no Vazquismo. E Ponte Vedra premia a Lores, que sobe em votos.

Ganhamos ou perdemos sociologicamente o galeguismo de esquerdas? Eu diria, com muita prudência, que ganhamos. Prudência porque existe muita incerteza ainda. O espaço que ocupava antes um BNG patista com o PSOE e que deixara a soberania nacional para um terceiro plano parece que passam a ocupar as Marés, e o BNG passa a ocupar o plano de uma esquerda menos patista e com soberanismo posto em primeiro plano. De continuar nessa linha perde sentido uma esquerda soberanista a esquerda do BNG. O "ideal", penso eu, ou, melhor dito, o alvo seria uma refundação do BNG que passará a ser a organização que aglutinará todo o soberanismo de esquerdas.

As Marés, também de continuar neste caminho, podiam ser uma refundação de AGE em uma força galeguista de esquerdas mas ampla (com setores do espanholismo que admitiram o direito a decidir). Podia ser, pois estamos, repito, num plano de muitas incertezas. Não acredito que acabe Podemos apresentando-se só à Xunta. Seria complicado, quando não se molharam em nada no país, e os que dam a cara nestas municipais não são de Podemos (ainda bem). Esta situação que descrevo não me parece negativa se se definem bem os campos, uma perna algo parecido a AGE ou as marés e outra perna o soberanismo de esquerdas, talvez um BNG refundado, duas pernas necessárias para construir país. Esta anáise é subjetiva mas tentando me ajustar a realidade social com que contamos na Galiza.

 

https://galiza.lahaine.org/umha-analise-da-nova-realidade