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Galiza :: 15/06/2007

Novo texto sobre Bolonha traduzido

AGIR
AGIR apresenta em rede mais um texto traduzido do colectivo Professores polo Conhecimento, auspiciado desde a Unversidade madrilena.

Novo documento sobre o Processo de Bolonha

Junho de 2007

Especial Processo de Bolonha

AGIR apresenta em rede mais um texto traduzido do colectivo Professores polo Conhecimento, auspiciado desde a Unversidade madrilena.

O presente manifesto, assinado por mais de 3.000 catedrátic@s, conta com o apoio de vários membros da docencia universitária na Galiza.

A organizacom estudantil da esquerda independentista, lamentando a carencia dum programa nacional de mínimos que deveria complementar o presente, compromete-se a trabalhar por dar umha orientacom galega às escassas denúncias que correm por todo o Estado, marco referencial das reformas. É por isto que subscrevemos os pontos assinalados no documento que apresentamos sem esquecer a necessidade de vindicar alguns aspectos específicos a maiores.

QUE EDUCAÇOM EUROPEIA?
MANIFESTO DE PROFESSORAS/ES E INVESTIGADORAS/ES UNIVERSITÁRI@S

@s assinantes, catedrátic@s, professores/as, contratad@s, investigadores/as e bolseir@s de investigacom de diversas universidades da Uniom Europeia, como responsáveis ante a sociedade de diferentes campos de conhecimento (se bem que a título pessoal e nom em representacom das nossas respectivas instituicons), desejamos manifestar publicamente a nossa preocupacom ante a orientacom que o processo de contrucom dum Espaco Europeu de Ensino Superior está a adoptar no que às reformas das estruturas educativas se refere, assim como à nocom mesma de universidade e do seu papel na educacom superior. Conscientes como @s que mais da necessidade de transformacons profundas que contribuam para a sua melhora, nom por isto deixamos de advertir a necessidade dum debate público no qual podam sobmeter-se a crítica alguns aspectos de especial releváncia.

Preocupa-nos que as transformacons da universidade se planejem sem o indispensável debate público ou que as numerosas vozes que ham de intervir nele nom deixem escuitar as opinions de professores/as e estudantes universitári@s.

Preocupa-nos que, sob pretexto de que a universidade deve estar ao servico da sociedade, cousa que ninguém nega, proliferem as agencias e instituicons extrauniversitárias, que dominadas polo poder político de turno ou por poderosos grupos de pressom giram a política intrauniversitária.

Preocupa-nos que, com o argumento de que a univerisdade deve atender as demandas sociais, fazendo umha interpretacom claramente reducionista de que seja a sociedade, na realidade se ponha a universidade ao exclusivo servico das empresas e se atenda unicamente à formacom dos profissionais solicitados por estas.

Preocupa-nos que de maneira expressa se menosprecem outro tipo de demandas sociais de nom menor importáncia, desligadas de interesses mercantis e direitamente relacionadas com objectivos perseguidos por umha parte do alunado universitário, como som a adquisicom dumha sólida formacom teórica numha determinada especialidade científica ou humanística, ou o cultivo de mui diversas artes e saberes, todo o qual constitui umha parte do património cultural europeu digno de ser preservado e transmitido.

Preocupa-nos que os cámbios nom sejam respeitosos com a idiosincrasia de cada um dos estudos universitários e se aplique um modelo único para todas as titulacons no que domine quase por inteiro a profissionalizacom no marco dumha conceicom claramente utilitarista do conhecimento. Em particular preocupa-nos que os critérios da chamada "avaliacom de qualidade" tornem rígidas molduras que ponham fim à necessária diversidade dos estudos universitários.

Preocupa-nos que, anegad@s na denominada por alguns "cultura da qualidade", termine por gestionar-se a universidade ao modo dumha empresa, o que de facto implica concebe-la como um negócio do sector de servicos, ao tempo que o conhecimento se converte numha mercadoria e @s alun@s em clientes.

Preocupa-nos que certos "expertos" em educacom universitária convinhessem que a adaptacom dos e das estudantes ao mercado de trabalho será a única finalidade da formacom universitária e deva traduzir-se na adquisicom de "habilidades, destrecas e competencias", o qual supom de facto um esvaziamento de conteúdos mascarado numha nova linguagem de origem extra-académica. Muito especialmente nos preocupa que as nossas autoridades académicas comecassem a falar da adquisicom de conhecimento como o "elemento limitante", a modo dum velho traxe do qual quanto antes conviria despojar-se.

Preocupa-nos que entre os nom explicitados objectivos do novo auge que estes supostos "expertos" em educacom decidírom conceder às mencionadas competencias, habilidades e destrecas em detrimento dos conhecimentos próprios de cada disciplina, figure, ao menos no caso especificamente espanhol, o desejo de abordar pola porta falsa o problema do fracasso escolar dos e das estudantes, derivado por sua vez da inadequada formacom com a qual acedem à universidade e que levou muitas faculdades a ter que criar grupos zero com o fim de paliar o devandito problema.

Preocupa-nos que, neste contexto e sob a legenda "do ensino à aprendizagem", a necessidade de reflexom pedagógica, imprescindível para a melhora do ensino universitário, se converta no pretexto para outorgar a umha particular disciplina académica, a psicopedagogia, a funcom de marcar a pauta nas demais. E que semelhante transformacom nom desemboque numha outra cousa que nom for o aumento desmessurado do trabalho burocrático do professor (programacom, temporalizacom, fichas, guias docentes), que mingüe as suas energias sem aumentar a qualidade da sua docencia. Em vista do acontecido com o ensino secundário, no caso espanhol isto é especialmente alarmante.

Preocupa-nos que caminhemos face a umha Universidade cujo professorado nom vai ser valorizado fundamentalmente polos seus méritos docentes e investigadores, mas pola sua capacidade de adaptacom às novas tecnologias de informacom e comunicacom (TIC) e à pedagogia do "aprender a aprender", e portanto a umha Universidade definida pola menor exigencia de qualificacom dos seus investigadores e docentes (o qual, com certeza, permite abaratar os seus custos).

Preocupa-nos que nom se encete a reforma universitária com um estudo sério das necessidades económicas (possível aumento de plantilha, remodelacom dos prédios, novos equipamentos), sem o qual está condenada ao fracasso. Todavia, existe a pretensom de que a actual reforma educativa se leve a cabo sem um financiamento estatal incrementado ("custo zero")

Preocupa-nos mais especificamente que os ventos políticos corram na direccom de reduzir o peso económico do sector estatal na educacom, assim como de condicionar o financiamento público à prévia obtencom de financiamento privado (eufemisticamente denominado "externo"), até o ponto de chegar a converter esta exigencia num surpreendente requisito de qualidade (tal e como aconteceu com as mecons de qualidade dos programas de doutorado). Assim, como resultado dum novo sistema de financiamento universitário, preocupa-nos que as universidades se vejam abocadas a conceber o seu próprio labor como a exclusiva producom daquelas mercadorias polas quais as empresas estejam dispostas a pagar.

Preocupa-nos que se acentuem as diferencas sociais no acesso à educacom superior: tememos sobretudo que, na maioria das universidades, os títulos de grau acabarám significando tam só umha mera "passagem" ao mundo laboral, enquanto que os títulos de pós-grau, os que verdadeiramente vam introduzir a diferenca em ponto à qualificacom, tornam um negócio.

Precoupa-nos que a formacom contínua e flexibilidade curricular de professores/as e alun@s, propiciadas pola reforma, constituam a ocasiom e a escusa para umha educacom superior menos qualificada em que, de facto, se contribua para formar futuros assalariados em piores condicons laborais e sobmetidos à extrema mobilidade por território europeu que exijam os empregadores.

Preocupa-nos, enfim, que a comunidade universitária nom exija ser escuitada, optando polo "salve-se quem puder" ou, como denuncia a Universidade de Paris 8, polo "cada quem para si e o mercado para tod@s". O que está em jogo é o futuro da educacom superior no seio do Estado Social de Direito.

Madrid, Marco 2005

 

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