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Medio Oriente, EE.UU. :: 02/09/2013

Os Estados Unidos vão bombardear a Síria

Os Editores de odiario.info
NOTA DOS EDITORES «Decidi que os EUA devem atuar militarmente na Síria» - informou Barack Obama no sábado. «Sei-acrescentou- que posso fazê-lo sem a autorização do Congresso, mas seremos mais eficazes se pedirmos a sua aprovação». O Congresso está de férias, mas o Presidente esclareceu que já conversou com os líderes democratas e republicanos das duas Camaras. A humanidade aguarda, portanto, com angústia, que a máquina de guerra estadunidense lance os primeiros misseis contra a terra milenar da Síria, dando inicio a mais um monstruoso crime do imperialismo. O ato de barbárie repetirá noutras circunstâncias, e com outro estilo, aqueles que atingiram o Afeganistão, o Iraque e a Líbia. O pretexto invocado foi concebido com muita antecedência. O governo sírio é acusado de ter utilizado armas químicas em bombardeamentos que causaram mais de um milhar de vítimas nos subúrbios de Damasco. As «provas» sobre a origem das armas químicas utilizadas que os EUA citam para justificar o ataque não provam nada. São falsas, foram forjadas como as que atribuíam ao Iraque a posse de armas de extinção massiva. O secretário de Estado John Kerry e o Presidente falaram de «elevada confiança» e «elevada certeza» ao atribuir ao governo de Bachar al Assad o uso das armas químicas. Mas, à cautela, Obama decidiu não esperar pelo relatório dos inspetores da ONU, que, segundo Ban Ki moon, pode demorar duas semanas. Aliás, como reconheceu o secretário de Estado John Kerry «a investigação da ONU não esclarecerá quem usou armas químicas. Esse não é o mandato da missão». A única certeza, comprovada por um relatório oficial russo (ver artigo de Finian Cunningham, odiario.info 28.8.13), é a de que os bandos terroristas que combatem o governo de Bashar al Assad utilizaram armas químicas no bombardeamento da cidade de Khan al-Assad. Provado está também que a Turquia, o Qatar e a Arabia Saudita continuam a financiar os «rebeldes» e a fornecer-lhes armas. O presidente dos EUA deixou transparecer surpresa e consternação pelo facto de o Parlamento Britânico ter votado contra o envolvimento militar do Reino Unido no ataque à Síria, numa atitude que expressou a oposição do povo inglês à submissão do governo Cameron a Washington. Diferente foi a posição ao do presidente Hollande que se comporta como um lacaio ao alinhar com a agressão dos EUA, condenada por 64% dos franceses. Manifestações contra a intervenção militar estão a ser convocadas em muitos países. Não tendo conseguido – por oposição da Rússia e da China – que o Conselho de Segurança aprovasse uma Resolução que abrisse a porta à agressão, os EUA, mais uma vez decidiram iniciá-la sem mandato do mais alto órgão das Nações Unidas. Tal como aconteceu no caso da Líbia, uma campanha mediática de desinformação de proporções mundiais precedeu a decisão de intervir militarmente. A opção pela guerra foi apresentada como iniciativa humanitária empreendida em defesa de um povo oprimido por um regime despótico. Mas de facto nenhuma lei internacional legitimaria a agressão contra a Síria ainda que os factos fossem verdade. Por outro lado, esta agressão só adiciona e prolonga o sofrimento e morticínio de que o povo sírio tem sido vítima às mãos das intervenções externas em curso; e, pelas suas ramificações, tornará mais problemática e distante a resolução política do conflito. O discurso de Obama que pretende justificar o crime em preparação caracteriza bem o farisaísmo da estratégia imperialista. Afirmando combater o terrorismo, tripudia sobre o Direito Internacional. Como as milícias de mercenários islamitas fanáticos, agora seus aliados, estavam a ser derrotadas pelo exército sírio, optou pela intervenção armada unilateral. Mas a hipocrisia do presidente dos EUA não atingiu o objetivo: em dezenas de países, organizações e personalidades de prestígio internacional condenam a iminente agressão ao povo sírio como crime contra a humanidade. É transparente que esta nova guerra imperial se insere na estratégia de domínio universal de Washington que visa a recolonizar todo o Médio Oriente. www.odiario.info
 

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